O que cada teste prova
Vá do teste mais simples ao mais confiável e pare antes de qualquer coisa que danifique a peça. Um resultado isolado pode enganar; vários apontando para o mesmo lado merecem atenção.
| Teste | O que pode indicar | O que não prova |
|---|---|---|
| Marca (750, 18k, 585, 10k) | O teor que a peça declara ter | Que a marca é verdadeira ou vale para a peça toda |
| Letras GP, GF, “folheado”, “banhado” | Camada de ouro sobre outro metal | – (já indicam que não é ouro maciço) |
| Desgaste nas bordas | Outra cor aparecendo por baixo: sinal de camada | Riscos e amassados também acontecem no ouro maciço |
| Ímã | Atração forte: há ferro ou aço na peça | Não grudar não prova que é ouro |
| Vinagre, isqueiro, mordida | Nada confiável | O quilate; e podem danificar a peça |
| Pedra de toque com ácido (joalheiro) | Se é metal comum e uma faixa de quilate | É uma comparação, não uma medição exata |
| XRF (joalheiro ou laboratório) | A composição do metal analisado | Partes da peça que não foram analisadas |
| Copelação (laboratório) | O teor de ouro de uma amostra | – (exige retirar uma amostra do metal) |
1. Comece pela marca
Procure números como 750, 585, 417, 999 ou as formas em quilates, como 18k, 14k e 10k. Em anéis e alianças, a marca fica dentro do aro; em correntes e cordões, no fecho, numa plaquinha ou nos terminais. A tabela completa está no guia de marcas, e o significado do 750 em 750 é ouro?.
Duas ressalvas. Letras como GP, GEP, HGE, GF ou palavras como “folheado” e “banhado” indicam uma camada de ouro sobre outro metal, mesmo quando aparecem ao lado de 18k. E a marca é uma declaração: pode ter sido gravada em metal comum ou valer só para uma parte da peça.
2. Observe o desgaste
Camadas de ouro sofrem atrito de forma desigual; as próprias diretrizes da FTC lembram que diferentes áreas de uma peça se desgastam em graus diferentes. Com uma lupa, olhe as bordas dos elos, o fecho, as garras que seguram pedras e a parte de dentro do aro. Uma cor rosada, acinzentada ou prateada aparecendo por baixo do amarelo é um sinal forte de camada. No ouro maciço, a cor dentro de um risco é a mesma da superfície.
3. Teste do ímã: ouro gruda no ímã?
Não. As respostas magnéticas fortes vêm de materiais ferromagnéticos; as dos demais materiais são muito fracas. Entre os elementos, além do ferro, só cobalto, níquel, gadolínio e disprósio são ferromagnéticos, e o ouro não está nessa lista. Na prática:
- O corpo da peça é puxado com força: há ferro ou aço nela. Ferro e aço quase sempre são magnéticos (alguns aços inoxidáveis não são), e até latão banhado sobre ferro gruda no ímã.
- Só o fecho reage: o fecho pode ter uma mola ou peça de outro metal. Teste o corpo da corrente separadamente.
- Nada acontece: isso prova pouco. Cobre e latão também não são magnéticos, e podem estar por baixo de uma camada de ouro.
Vinagre, isqueiro e mordida: por que não servem
- Vinagre: não mede quilate. Numa peça folheada, o que encosta no vinagre é justamente a camada de ouro, então “não mudou de cor” não separa ouro maciço de folheado. Líquidos também podem prejudicar pedras, pérolas e colas.
- Isqueiro ou chama: pode manchar o metal e danificar pedras, sem medir nada.
- Mordida ou risco em cerâmica: marcam a peça e não dizem quanto ouro existe nela.
Como saber se um anel, uma aliança ou uma corrente é de ouro
- Anel e aliança: leia toda a parte de dentro do aro, inclusive dos dois lados de uma emenda de ajuste de tamanho, que pode ser de outro metal. Observe as bordas e a base das garras, que sofrem mais atrito.
- Corrente e cordão: confira o fecho, a plaquinha e os terminais, e depois os elos que mais atritam, em geral os da nuca. As diretrizes da FTC dizem que, se uma marca vale só para uma parte da peça, isso deve ficar claro: um fecho de ouro não prova que a corrente inteira é de ouro.
- Brincos: o pino ou a tarraxa podem ser marcados enquanto o corpo do brinco não é.
- Peças leves: uma peça oca pode ser de ouro e ainda assim parecer leve. As diretrizes da FTC pedem que peças ocas não sejam descritas como maciças.
O teste do ouro no joalheiro
No método da pedra de toque descrito pelo GIA, o joalheiro primeiro procura marcas e observa cor e peso. Se suspeita que a peça não é de ouro, faz um pequeno entalhe num ponto escondido, para expor o metal de dentro, e aplica uma gota de ácido de teste para ouro 18k: uma reação verde e muito efervescente indica metal comum. Se a reação for pequena ou nula, ele esfrega a peça numa pedra escura de teste, ao lado de agulhas de quilate conhecido, e compara como os riscos reagem a ácidos de força medida: ácido nítrico para 14k ou menos e água-régia para quilates maiores. São ácidos perigosos, que exigem luvas e ambiente ventilado; não é um teste para fazer em casa.
O XRF (fluorescência de raios X) é o método que laboratórios de ensaio, como o de Birmingham, usam para verificar a proporção de ouro numa liga. Peça a leitura de cada parte que importa: fecho, corpo e pino podem ter ligas diferentes. Já a copelação, normalizada no Brasil pela ABNT NBR 9550, determina o teor de ouro em amostras de liga; como exige retirar metal, é usada para disputas e lotes, não para a joia que você quer guardar.
Quando vale pagar por um teste
Vale a pena quando você vai vender, comprar uma peça cara, partilhar uma herança ou quando a marca e o desgaste contam histórias diferentes. Ao vender, peça que o comprador teste a peça na sua frente e diga o quilate antes de falar de preço. Ao comprar, o Código de Defesa do Consumidor garante o direito a informações corretas e claras sobre a composição do produto (arts. 6º e 31): peça o metal e o teor na nota fiscal.
Para registrar a marca, o desgaste e o fecho antes de qualquer teste, use a identificação de joias por foto. Se a dúvida é sobre camadas, leia folheado ou banhado a ouro; se é sobre valor, a página de avaliação de joias. Há também uma versão deste guia em inglês.